Repercussão do linchamento prejudica imagem de cooperativas de táxi
O motorista Kleber Luis Oliveira da Rosa não quis responder se tem ou não o cartão da SMTR, documento que comprova a inscrição na Prefeitura e permite o usuário a guiar táxis como auxiliar. Em declaração à Folha do Motorista disse que a questão estava com sua advogada, Roberta disse que o assunto não pode ser divulgado, por fazer parte de um inquérito em fase de investigação criminal.
Kleber foi agredido na madrugada do dia sete de julho no Aeroporto Internacional Tom Jobim quando se preparava para atender a um chamado de passageiro com seu táxi. Ele acusa outros taxistas de agressão. O motivo seria a disputa pelo ponto e impedir que fosse atendido o passageiro.
Impossibilitado de trabalhar, Kleber recebe ajuda de grupos de taxistas que se cotizam e doam cestas básicas a ele e a sua família, esta tem sido a forma de se manter, depois da agressão sofrida que tem impedido de trabalhar. Segundo ele, as agressões lhe provocaram fratura no crânio e um coágulo no cérebro. Kleber diz ainda que por recomendações médicas terá que ficar 30 dias sem trabalhar. No dia três de agosto, fará novos exames médicos.
Perguntado se vai continuar trabalhando no táxi, Kleber disse que sim. E desabafou: “Uma coisa que não existe (na Praça carioca) é união. Se todos os taxistas estivessem unidos, isso não aconteceria, todos estão na mesma situação ganhado o seu pão de cada dia”.
Enquanto Kleber diz que foi agredido por outros colegas, taxistas dizem que a história não é bem essa. O presidente da Aerocoop, Nilton Rodrigues Cruz, disse que os dois taxistas da cooperativa acusados da agressão falam que estavam apenas separando a briga. Segundo o presidente, as imagens do circuito interno de TV do Aeroporto podem comprovar o fato.
“Oriento os 187 cooperados da Aerocoop a não aceitar provocações, pois o Aeroporto é freqüentado por muitos táxis falsos”.
Muito indignado, um dos diretores da Aerotáxi, Henrique, disse que o fato prejudicou a imagem da cooperativa como um todo o serviço de táxi do Rio: “O cara nem taxista é. Estamos há 15 anos no Galeão. O fato prejudica 196 taxistas que lá trabalham. A repercussão não está sendo boa para ninguém. As pessoas que nos param e vêm o logotipo da cooperativa logo dizem – ah, foram vocês que bateram naquele taxista. Não se pode generalizar. Leva-se muitos anos para se construir uma imagem. Nossa imagem está ferida. Temos taxistas com 60 anos de idade trabalhando conosco, além de outros trabalhadores”.
Para o diretor, os acusados do linchamento dizem que a agressão partiu do Kleber. “Nunca incentivamos ou fizemos algo para produzir isso (agressão à taxista). Não queremos que aconteça. Foi um fato infeliz”, disse.
A Polícia vai encaminhar o inquérito ao Ministério Público. Os acusados podem responder por tentativa de homicídio.
“O assunto repercutiu negativamente no mundo, sendo noticia em vários meios de comunicação e na internet, onde aparece em várias páginas os cinco taxistas que agrediram Kleber, deixando-o desmaiado. Depois aparece um segurança do Aeroporto, que deve ter providenciado o socorro. Esta política de domínio nos Aeroportos não acontece só na cidade do Rio de Janeiro e sim em todas as grandes capitais. Precisa mudar este conceito, afinal o serviço de táxi é o cartão de visita de quem chega, não importa se ele seja titular ou auxiliar que presta serviço para outro. O que não pode é o taxista ser impedido de atender o seu passageiro, ele tem o direito de atender quem lhe dá a preferência de seu serviço. O passageiro não pode entrar em um táxi e pensar que todos são iguais. Os culpados devem ser punidos para evitar que cenas como essa se repitam”. A redação.


